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Consumo

novembro 25, 2009

Entram dias, passam semanas. E a vida continua tal qual é: apressada, tencionada por tarefas e marcada também por esparsos momentos de lazer, descanso. Está certo, o tempo não pára. Por entre as experiências do cotidiano, muitos indivíduos parecem funcionar no modo automático, inconscientemente perpetuando rotinas. Mas, afinal, qual problema há nisso?

Ao transitar superficialmente pela vida, as pessoas deixam de lado os sentimentos e mesmo as reflexões sobre o mundo e a si mesmas. Dar um off no modo automático significa atentar, principalmente, para os valores difundidos em sociedade e para os comportamentos legitimados por tais valores. E uma das práticas consideradas mais naturais hoje é a compra.

Rappers norte-americanos: ostentação de fortunas.

Pagar para adquirir, para tomar posse de uma coisa. Mais do que isso, o comprar tem ligação intrínseca com o status social. O sujeito que tem muito dinheiro é vangloriado socialmente pela ostentação das suas compras. Um exemplo bem expressivo disso é o conjunto de produções do atual hip hop norte-americano. Os rappers – sempre usando jóias, relógios, roupas e calçados caríssimos – dirigem carrões e fazem questão de cantar as suas fortunas. Ricos e, consequentemente, rodeados de mulheres. A posse de bens desdobra-se em poder sexual.

Carrie. A protagonista de "Sex in the City" e suas inseparáveis compras.

Não só nos clipes musicais é possível se observar essa exaltação do consumo. Algumas atrações televisivas como o famoso seriado Sex in the City (http://www.hbo.com/city/), tratam da temática de maneira leve e despretensiosa. Comprar é chic, relaxante e ainda auxilia na produção do belo. O ato de comprar é prazeroso justamente porque resulta em status e, além disso, satisfaz momentaneamente carências, como fica claro nos episódios do seriado. Terminou com o namorado? Compras. Quer “arrasar” naquela festa? Compras. Está entediada? Compras.

Mas quais valores embasam esse culto ao consumo? É fato que o liberalismo conectado ao modelo capitalista é, em última instância, o elemento que fomenta a valorização do prazer individual. Para além da diabolização do “sistema”, é interessante olhar para as vivências diárias e problematizar mesmo os comportamentos mais espontâneos. Como ir ao shopping. Um ambiente comercial e estritamente de entretenimento pode revelar muitas facetas desse consumismo impregnado no dia-a-dia.(http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=113941)

O vídeo a seguir trata disso.